Nunca diga não sem ter certeza que você pode suportar a frieza no olhar de quem realmente te ama.
Se de uma chance de sair de seu quintal e conhecer o que há além do seu mundinho insano, ao qual você se chama de perfeito, lembre-se que a grama do vizinho é sempre mais verde e que o quintal dele é sempre mais bem cuidado.
Quebre os muros da sua casa, abra suas asas aprenda a voar, faça o que for preciso pra alcançar o céu, encare o risco, faça uma mudança, aproveite a chance, se liberte... Saia da escuridão, direto para o sol... Aqueça suas penas, afinal você não é Ícaro mesmo suas penas não irão cair com a proximidade do sol e tão pouco despencarão ao menor contato com o mar, então se refresque, pesque e enxergue as brumas brancas com cheiro salgado pois elas te guiarão até a floresta , voe bem alto, sinta a pureza do ar, escorregue pela neve, brinque por entre os pinheiros, dance com as araucárias e beije a copa dos carvalhos.
Depois de tudo isso margeie o rio que corta a floresta em dois, o lado negro e o lado claro, que é de onde você veio. Mas agora é hora de lembrar que para dia de glória é preciso de um dia de batalhas e então vá diretamente para o meio do rio. Desvie das pedras do meio do rio, pois o rio será o seu caminho de volta a sociedade. A cada desviada para o lado negro um dia de batalhas, a cada desviada para o lado claro um dia de glória.
É impossível voltar a sociedade sem esbarrar em algumas pedras, você voltará machucado, mais o quão machucado estará quando chegar depende do quão destro você será.
Bravura não contará, nem coragem ou mesmo força de vontade nesse seu caminho de volta, será apenas você, sua sagacidade e as suas escolhas.
Quando chegar a sociedade, voe costurando os arranha-céus e lembre-se do cheiro salubre das brumas marinhas, passe pelas chaminés das casas e lembre-se do sorriso dos pinheiros, da dança magnífica das folhas das araucárias e do doce-amargo beijo dos carvalhos.
Agora volte para sua casa, lembre-se que pode voar o mundo, olhe para a tão bem cuidada grama do vizinho e me responda: Está realmente disposto a reconstruir seus tão inúteis muros?
By: Flavia Brightside
domingo, 16 de outubro de 2011
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